Curitiba: “ciclofaixa de lazer” pra quê?

Quem anda pelo centro da cidade de Curitiba percebeu pequenas mudanças pelas avenidas: foi pintado uma “ciclofaixa” de 4 km na pista esquerda das ruas do centro da capital paranaense, para lazer e em um domingo por mês, das 8-16h. Essa iniciativa da prefeitura é apresentada como projeto de ciclofaixa e infelizmente, contou com a elaboração e implementação arbitrária do poder público municipal.

A prefeitura parece ter ignorado os movimentos diversos que vem lutando por uma mobilidade efetivamente sustentável na famigerada “cidade modelo”. Ignoraram, pois:

  •  *A bicicleta como modal alternativo de mobilidade;
  • *Que o que foi pintado nas ruas da cidade é um mero lazer e que vai do nada pra lugar nenhum;
  • *Os movimentos locais que reivindicam a faixa direita – de menor velocidade – como a pista mais adequada para pedalar;
  • *Uma das soluções plausíveis para o caótico trânsito local, para a redução de vítimas fatais e para a redução do sedentarismo e aumento da saúde;
  • *Que o Estado deve planejar suas ações para evitar desperdício do dinheiro público;
  • *Que o Estado deve consultar a sociedade para garantir o melhoramento contínuo do projeto e garantir a recepção por quem deverá utilizá-la diariamente;

Parece até que a intenção é fazer com que o projeto fracasse e assim se possa afirmar à hegemonia plena e inquestionável da cultura do carro e da indústria automobilística. Todavia, parece mais oportuno ser otimista e acreditar na incompetência municipal à má fé pública.

Infelizmente, todavia, se nenhuma atitude for tomada esse protótipo de ciclofaixa nasce natimorto e com o voo de galinha programado para terminar nas eleições municipais de 2012 – tudo indica que essa iniciativa será apenas para dizer que a “cidade modelo” tem iniciativas sustentáveis e “inclui” a bicicleta entre seus modais de transporte.

Lutemos para evitar que a ciclofaixa se torne a típica política de inflamento de ego do orgulho de ser curitibano. Sendo assim, apenas os movimentos organizados poderão reverter os erros básicos do projeto até aqui implementado e dar vida a uma solução sustentável de verdade.

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Manifesto dos Pontos de Cultura

Manifesto dos Pontos de Cultura – Dilma 13 para cultura seguir mudando

Protagonismo, Autonomia, Empoderamento -um novo conceito: Ponto de Cultura.

Nós, do Movimento dos Pontos de Cultura do Brasil, nos dirigimos aos arteros, oficineiros, fazedores de cultura ou seja toda cidadã e cidadão brasileiro. Acreditamos que todo ser humano é um produtor de cultura. É o que os Pontos de Cultura e outras entidades culturais provam no seu dia-a-dia. Este é um momento importante no Brasil, um segundo turno é hora de se manifestar, não sermos neutros e optarmos pela projeto político cultural que desejamos para o Brasil.

Hoje somos uma rede de mais de 5 mil pontos de cultura: indígenas, afro descendentes, imigrantes, ciganos, fronteiriços, trabalhadores rurais e urbanos e toda a diversidade cultural que contempla o povo brasileiro. Os Pontos de Cultura estão presentes em centenas de cidades brasileira não só levando a cultura, mas principalmente passando os meios de produção cultural e mostrando a cara, o cheiro e o jeito diferente de transformar através da cultura o Brasil. Trabalhamos com as mais diversas linguagens artísticas. Somos um exemplo de ser e de ter sustentabilidade através da cultura. Não é um projeto de governo e nem de sociedade mas um projeto comum do encontro de uma proposta do Governo Lula/Dilma e dos anseios e de uma sociedade sedenta de cultura. Trabalhamos para a afirmação de novas relações entre Estado e sociedade, nas quais gestores públicos e movimentos sociais estabelecem canais de diálogo e aprendizado mútuo. Acreditamos na construção coletiva de um novo processo de cultura política com caráter emancipador, em que as hierarquias sociais e políticas são quebradas e criam base para novas legitimidades.

Antes de Lula/Dilma a cultura tinha como seu principal instrumento a lei Rouanet de isenção de impostos de empresas. Um outro foco, não é a toa que tinham a cartilha Cultura é um Bom Negócio. A política cultural ficou praticamente a cargo das empresas e não da sociedade e/ou do Ministério da Cultura. O orçamento final de FHC/Serra foi de 0,14% e hoje com Lula/Dilma chegamos próximos a 1% e queremos mais e mais.

Mais do queorçamento, a lógica de Lula/Dilma foi acreditar na capacidade da própria sociedade, principalmente de movimentos sociais e culturais que já estavam em plena atividade e empoderá-los.

Acreditamos que toda mudança estrutural passa pela mudança cultural, não basta ter crescimento econômico dissociado de uma democratização radical da cultura. A cultura envolve mudança de mentalidades e atitudes no lidar com a terra, com os valores, os saberes tradicionais, eruditos e populares. Isto requer mais que investimentos em obras e instalações, requer investimento nos seres humanos, no meio ambiente, na natureza contemplando suas diversidades e contradições. Nesta nova lógica o Governo Lula/Dilma deu um grande passo e acreditamos que os Pontos de Cultura é um dos programas base nesta nova sociedade que começa a ser construída e temos a certeza que só um Governo Dilma dará continuidade, aprofundamento e tranformará esta proposta de Governo em Política Publica.

Pra cultura seguir mudando e mudar o Brasil


Comissão Nacional dos Pontos de Cultura

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Trabalho digno para todos

O filósofo Karl Marx, o pai do socialismo científico, se estivesse vivo, afirmaria categoricamente que suas pesquisas se concretizaram: o problema do proletariado e do mundo está intimamente ligado ao avanço do sistema capitalista. E o marco inicial desse drama foi anunciado no século XVIII com a primeira Revolução Industrial. Jornadas de trabalho extenuantes – até 18 horas/dia – exploração de mão de obra infantil, trabalho escravo, péssima remuneração e ausência de lei protetoras do direito básico do homem.

A partir das cinzas, (re)nasceram as organizações dos trabalhadores. Da especialização do trabalho, da produção em larga escala e do desenvolvimento abrupto de tecnologias de transportes e comunicação, associadas à ganância e à busca incessante pelo lucro, iniciou-se a luta dos trabalhadores. Desinstrumentalizar o trabalho e reverter a transformação do trabalhador em máquina seria um primeiro passo para o trabalhador deixar de ser refém dos patrões (ou da falta deles).

Para garantir dignidade no trabalho, faz-se necessário aprovar leis que freiem os impulsos capitalistas e desumanizadores. Gerar empregos a todos é uma forma exitosa de externalizar o exército de reserva que desvaloriza os salários. No entanto, é imprescindível uma educação universal e de qualidade.

Reduzir a jornada de trabalho para 40 horas semanais (e em até 5 anos para 36h) também é fundamental, mas a resistência no Congresso Nacional vem postergando esse ganho real para todos os trabalhadores e famílias. Além de aumentar os postos de trabalho seria ampliado o tempo disponível para a família, educação, saúde, cultura e entretenimento.
Outro problema corrente – a escravidão – que fere frontalmente a declaração universal dos direitos humanos, ganha sobrevida, no Brasil, devido à impunidade e o estratagema da bancada ruralista no Congresso Nacional, de obstruir a votação do projeto de lei que propõe a desapropriação de propriedades rurais e urbanas que se utilizem do trabalho escravo.

O processo da Globalização gerou grandes problemas e algumas (potenciais) soluções mas ainda não foi possível tirar proveito em prol da coletividade. Alinhar o trabalho com justiça social, direitos, deveres é um desafio que, se bem refletido, será alcançado. Não é de novas pesquisas que precisamos, mas sim de solidariedade e respeito para todos. As leis já foram formuladas faltando aprová-las e por em prática.

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16/09 – Ato Pró-Conselho de Cultura do Paraná

imagem1 16/09   Ato Pró Conselho de Cultura do Paraná

No dia 16/09 haverá Ato público em Curitiba Pró-Conselho Estadual de Cultura do Paraná! A participação da comunidade cultural e dos demais entusiastas da Cultura Paranaense é muito bem vinda!

Levem pro ato seus instrumentos culturais, grupos artísticos (de teatro, de música, capoeira, maracatu, hip hop, audiovisual, software livre, cultura popular, circo, dança, artes visuais e artes plásticas e etc) e palavras de ordem!!!

Se possível, ajudem a repercutir em suas listas e redes sociais! O Paraná organizado vai em busca de seus direitos culturais! Milhões de reais deixaram de ser recebidos do MinC – Ministério da Cultura – por conta da ausência de um conselho estadual de cultura. Perdemos a chance também de implementar o edital estadual para 70 pontos de cultura do estado! Falta transparência (editais públicos) na destinação orçamentária dos recursos. A cultura do estado vai muito além do Teatro Guaíra e Museu do Olho.

As coisas precisam mudar! O Paraná quer CULTURA VIVA JÁ! Defendemos mudanças estruturais e urgentes na Secretaria de Cultura do Paraná (SEEC)!

Obs:

Pra quem se interessar, no dia 10/09, as 19h, haverá reunião dos Pontos de Cultura/PR para tratar da manifestação cultural.

Local: Ponto de Cultura “Minha Vila Filmo Eu” – Rua Piquiri, 737, conj. 01 – centro – Curitiba

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Carta dos Pontos de Cultura do Paraná aos Candidatos a Governador

A rede dos Pontos de Cultura do Paraná vêm por meio deste encaminhar propostas prioritárias da Cultura aos candidatos ao Governo do Estado:

1. Apoio e incentivo à implementação da Lei Cultura Viva em âmbito nacional e estadual, que consolide os Pontos de Cultura como política pública de Estado;

2. Implementação imediata do Edital dos Pontos de Cultura pelo Estado do Paraná e garantir a médio prazo a cobertura de todos os 399 municípios do estado;

3. Garantir capacitação aos agentes culturais para elaboração dos projetos aos editais de Pontos de cultura, assim como, para que possam se familiarizar aos mecanismos de convênio público (gestão e prestação de contas);

4. Subsidiar a infraestrutura necessária à constituição da rede de Pontos de Cultura do Paraná, através de encontros regionais, encontros estaduais, mostras, eventos e festivais geridos de forma compartilhada pelos Pontos de cultura;

5. Implementação imediata do Conselho Estadual de Cultura do Paraná de forma transparente e democrática, convocando a participação popular, Pontos de cultura e as entidades representativas da comunidade artística e cultural do estado;

6. Adequação do Governo do Paraná aos mecanismos do Plano Nacional de Cultura (PNC) e dos recursos oriundos do Fundo Nacional de Cultura (FNC);

7. Implementação e transparência do Fundo Estadual de Cultura;

8. Realização bianual e periódica da Conferência Estadual de Cultura;

9. Implementação e desburocratização da Lei Estadual de Incentivo à Cultura;

10. Apoio a PEC 150 e destinação de 1,5% do orçamento estadual para cultura;

11. Apoio ao Fundo Cultural do Pré-sal, a PEC 236 e ao Vale Cultura;

12. Apoio e incentivo a modernização da Lei de Direito Autoral;

13. Assegurar o reconhecimento e o apoio aos povos e comunidade tradicionais presentes no estado do Paraná (indígenas, caiçaras, quilombolas e etc);

14. Elaboração de políticas públicas que levem em conta a complementariedade da comunicação e da cultura;

15. Fortalecimento da Cultura Digital e dos conceitos e práticas colaborativos do Software Livre e universalização da Banda Larga em caráter público e estatal;

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Ler para crescer!

A origem da história se deu com o advento da escrita – e a interpretação e a reprodução de seus códigos. Na Antiguidade, a leitura foi privilégio de sacerdotes – na interpretação da Bíblia -, de aristocratas – no mecenato -, de filósofos e do povo, nos dias atuais, quando ela se tornou um direito universal tão difundido e inalienável.

A constituição cidadã garantiu a todos o direito à educação como pontapé inicial para conquista dos direitos sócio-políticos-culturais – apesar do voto ser facultativo aos analfabetos. Portanto, saber ler (e interpretar) é um príncipio básico não só para a compreensão dos direitos e deveres constitucionais bem como para alferir a cidadania plena.

A leitura, em qualquer sociedade contemporânea, abre horizontes subjetivos e objetivos. Como quem lê decifra o conteúdo de maneira distinta do outro – de acordo com as crenças, costumes e trajetória de cada um -, é razoável argumentar que a leitura é um exercício de cidadania e interação social que dá asas à imaginação. Além disso, nas observações de constumes e hábitos, tanto o polo ativo (escritor) como o passivo (leitor) cumprem papéis importantes de reprodução e ressignificação de bens simbólicos.

Países mais letrados, como no caso da Argentina – exemplo mais ao sul -, possuem mais livrarias do que temos de padarias. Essa diferença repercute diretamente no perfil contestador do argentino, que, por qualquer banalidade, organiza um “panelaço” em frente a Casa Rosada ou abre os arquivos da ditadura militar sem pestanejar. Por constraste, segundo o IBGE (2010), o brasileiro lê 4,7 livros por ano, participando, por conseguinte, passivamente das decisões políticas e tendendo a trilhar falsos consensos em detrimento de confrontos pedagógicos à cidadania.

A revolução tecnológica das comunicações vem complementar o papel da leitura. Costumes arcaicos são potencializados por aparatos eletrônicos, como se a reinvenção da roda fosse possível. O fato é que, com avanços tecnológicos ou não, a leitura segue sendo a sensação. Trocar livros de papéis por arquivos digitais tornou-se uma sensível guinada nos padrões modernos de comunicação. Viver alheio a esses novos códigos parece impossível não fosse o perigo do “analfabetismo digital”.

É dever do estado, portanto, ampliar a qualidade do ensino – já que o desafio da universalização da educação básica foi quase que totalmente alcançado – além de garantir o acesso universal a internet (banda larga estatal) para todos os cidadãos.

A sociedade contemporânea vem transformando de maneira globalizada a forma de se comunicar, intensificando a velocidade, a quantidade, a forma e até o conteúdo sem jamais excluir o papel fundamental da leitura. Enquanto perdurar o conceito de homem social, perdurará a leitura enquanto processo inerente à vida social. O homem, sem a leitura, não é o homem, mas sim qualquer animal irracional.

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Quando será a vez da Cultura?

tv 230x172 Quando será a vez da Cultura?

Mesmo não tendo iniciado a campanha eleitoral no rádio e na TV – previsto para o dia 17 de agosto – já podemos dizer que a disputa eleitoral está a todo vapor.

Nas últimas duas semanas, houve 2 debates eleitorais para a presidência da República e para os governos dos estados, respectivamente, promovido pela Rede Bandeirantes. Nessa mesma semana a Rede Globo promoveu entrevistas com os 4 principais presidenciáveis durante a programação do Jornal Nacional. O que ambos tiveram em comum ? Em nenhum deles o tema da Cultura foi assunto. Nem pelas emissoras, nem pelos candidatos e nem pelos marqueteiros.

De quem será a culpa pela omissão ? Dos candidatos ou das emissoras de TVs ? O mais óbvio seria culpar os meios de comunicação que insistem em pautar a temática do economicismo – superávit primário, juros, câmbio etc – assim como temas mais sensíveis como segurança pública, saúde e educação sem abrir espaço para um tema transversal e indissociável como o da Cultura. O fato é que candidaturas progressistas estão sendo pautadas pela mídia e até aqui não demonstraram coragem e ousadia para enfrentar o discurso hegemônico.

Dos 2 principais candidatos a presidência da república, como é o caso de José Serra – que se quer apresentou um plano de governo – até se entende a hipocondríaca predileção pelas estatísticas da saúde e privatização. Mas no caso da candidata Dilma Roussef, preterida nas intenções de voto para dar continuidade ao legado do governo Lula, e detentora de um programa de governo amplo, que insere a cultura de maneira elevada, espera-se uma postura mais incisiva e corajosa sobre o assunto.

A dúvida seria: a Cultura dá voto ? Se dá ou não voto, o fato é que com direito humano (PEC 236/2008) não se brinca. Se “Quem produz cultura é a sociedade e cabe aos governos identificar e fomentar tais iniciativas”, jamais tal temática poderia ser negligenciada. Se pensarmos que a economia da cultura (Vale-Cultura, Simples da Cultura, e etc) gera renda e emprego, e que a união da arte com a educação, cidadania com economia solidária, também repercutem indiretamente em saúde e segurança pública, certamente que melhor seria tratada a cultura.

Mesmo com todos os avanços nesses últimos anos, o quadro brasileiro de exclusão cultural é assustador. Cerca de 92% da população brasileira nunca entrou num teatro; lê-se, em média, 4,7 livro por ano; somente 10% dos municípios possuem um local dedicado à cultura; 92% dos brasileiros não costumam ir a museus; 80% nunca assistiu a um espetáculo de dança e apenas 13% da população vai ao cinema (IBGE, 2008).

Por isso, muitas políticas de cultura do governo Lula precisam ser convertidas em leis no Congresso Nacional (Fundo social do Pré-sal, PEC 150, Sistema Nacional de Cultura e etc). Muitos não sabem, mas em aproximadamente sete anos mais de 8 milhões de pessoas foram direta e indiretamente beneficiadas por programas transformadores do Ministério da Cultura (Reforma da Lei Rouanet; e agora, a consulta pública para a modernização da Lei de Direito Autoral). Entre tantos acertos, poderíamos citar o sucesso do Programa Cultura Viva, que afirmando o protagonismo dos Pontos de Cultura, hoje, tornou-se referência nacional e mundial de políticas culturais.

Talvez, boa parte dos candidatos não saibam do potencial humano e econômico da cultura, ao ponto dela ser rebaixada ao terceiro escalão da eleição. Muitos a reconhecem apenas em “showmícios” e jingles de campanha, mas é certo que essa visão instrumental da cultura não pode mais prosperar. É de conhecimento público que a indústria da cultura é responsável por 5% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro e nela atuam 320 mil empresas, que geram 1,6 milhão de empregos no país.

Se os candidatos oportunistas de plantão visualizarem oportunidades eleitorais na agenda da cultura, no mínimo, gerarão confusão na cabeça de quem faz e vive dela. Com números tão relevantes não seria de se espantar que pseudo-candidaturas se apoiassem nesse nicho para demagogicamente auferir votos valiosos num pleito eleitoral tão duro.

Por fim, os movimentos da cultura – esse sim, merece destaque – transitaram por desertos e labirintos para chegar em 2010 com muito saldo organizativo e história pra contar. Vale lembrar que a pouco mais de 7 anos nada disso seria possível ou mesmo imaginado. Mas, desde então, o movimento pró-cultura vem numa crescente atuação e mobilização em torno de suas pautas, organizando-se em redes, teias e muita solidariedade. A cultura vem chegando, ouvindo, conversando com o povo e acreditando na inventividade do brasileiro. Esse encanto é perceptível de norte a sul e de leste a oeste. Só não é ainda tema dos debates eleitorais, mas esperamos que seja visível nos programa de rádio e de TV.

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O relacionamento humano no serviço público

A administração pública só pode agir nos limites da lei – princípio da legalidade. Seus agentes, enquanto representantes do estado e da sociedade, também. O respeito ao colega de trabalho e ao usuário do serviço público são premissas fundamentais para o exercício e funcionamento do serviço público. No entanto, a prática cotidiana demonstra que as coisas não costumam ser tão simples assim. Basta demandar qualquer repartição pública para perceber as discrepâncias na postura do servidor, no atendimento ao público, nas relações pessoais e da ética no trabalho.

Mesmo existindo normas e códigos de ética e conduta, muitas vezes, o atendimento ao público deixa muito a desejar. As leis postas em papéis, por si só, não resolvem o problema, mas sem elas tampouco o estado pode mudar. Garantir a eficácia plena dos preceitos legais exigem investimento e contratação, capacitação, remuneração adequada e controle social – interno e externo. Na falta de algum desses conceitos balizadores, problemas como lentidão, descaso e ineficiência – seja por corrupção ou incapacidade crônica dos seus agentes públicos – podem aparecer. Distinguir falhas pessoais, de coletivas e institucionais são fundamentais para o melhoramento contínuo da função pública.

É direito de qualquer cidadão contar com os serviços públicos, sempre que for necessário e estiver dentro da lei. Para tanto, os servidores devem ser aptos para o exercício do cargo para a qual estão designados, cumprindo horários, com probidade, presteza e com transparência nas operações. A preocupação com o rendimento e a produtividade no serviço público deve ser uma constante em qualquer esfera de governo, até porque o princípio da eficiência, incorporado ao art. 37 pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998 está em pleno vigor.

Cabe à administração zelar pela regularidade de conduta de seus agentes, fazendo valer as regras disciplinares pertinentes. Na ocorrência de atitudes agressivas, lesivas ou displicentes a colegas ou ao público, sindicância (Processo administrativo Disciplinar – PAD) deverá ser aberta já que consta da lei nº 8.112/90 que “o servidor deve manter conduta compatível com a moralidade administrativa”, assim como “tratar com urbanidade as pessoas”.

Sendo a ética no trabalho uma preocupação contante, atentar para o seu pleno cumprimento é o dever de todos. Se a ética é motivada, orientada e disciplinada pelo comportamento humano, refletindo especialmente a essência das normas, valores e prescrições presentes em qualquer realidade social, deve ser seguida e cobrada por todos.

O descaso com a coisa pública pode ser superado se o controle social também o for melhor aplicado. Realizar avaliações periódicas e combater a conivência e o patrimonialismo pode ser um caminho a trilhar. Mas a educação continua sendo o principal caminho para tornar o serviço público efetivo, humano e ético.

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Copa 2014: Espetáculo ou Vexame ?

brasil copa 230x172 Copa 2014: Espetáculo ou Vexame ?

Sediar uma copa do mundo pode trazer resultados positivos e negativos. Normalmente os prejuízos são compartilhados entre todos e os lucros ficam apenas para alguns. A velha tática da socialização das perdas e privatização dos lucros estão a solta.

Os otimistas enaltecem o potencial socioeconômico, cultural e estrutural enquanto que os pessimistas alertam para os problemas da corrupção e da má gestão do dinheiro público, “cartolagem” e elevadas exigências praticadas pela FIFA em benefício de seus parceiros internacionais prioritários – danem-se os cofres públicos e seus contribuintes. Eis o futebol como entretenimento, alienação e empreendimento capitalista global.

O apito inicial do jogo está dado. A oportunidade existe e as chances de êxito somente serão alcançadas satisfatoriamente com o emponderamento, controle e participação no processo de decisão por parte da sociedade, maior interessada num evento como esse.

Atualmente, o Brasil está em alta no mundo globalizado, e internamente, passando por mudanças profundas em sua estrutura social, repercutindo num crescimento econômico robusto, geração de emprego e renda combinado com uma intensa ascensão social junto as classes mais desassistidas.

copa 2014 ok2 230x349 Copa 2014: Espetáculo ou Vexame ?Os investimentos interno e externo, por conta da Copa 2014, tendem a melhorar ainda mais esses índices – especialmente com as aplicações em transporte público (aeroportuário e rodoferroviário), segurança pública, infra-estrutura hoteleira e equipamentos culturais para o turismo.

Porém, o plano de execução da Copa está atrasado, sofrendo com a ingerência da CBF – que até aqui determinou as prioridades dos estados sedes – carecendo de maior controle público das operações e despesas pretendidas, evitando-se a corrupção e o desperdício das receitas públicas, como no episódio recente do Pan-americano no Rio de Janeiro, em que todas as previsões orçamentárias foram fatidicamente extrapoladas. A Copa do Mundo no Brasil reproduzirá os resultados da Copa da Alemanha ou da África ?

Aos cidadãos, vale conferir o Portal da Transparência da Copa 2014 – Transparência em 1 lugar, e verificar os investimentos esportivos e de mobilidade urbana nas 12 cidades-sedes. Ficar atento aos diversos gastos e cobrar as obras de interesse coletivo é o primeiro passo. Verificar a lisura em licitações públicas, certamente, o mais difícil e desafiador dos obstáculos.

brt avenida candido de abreu 230x163 Copa 2014: Espetáculo ou Vexame ?

Projeto Av. Cândido de Abreu - Curitiba

Em Curitiba – a tão alardeada cidade modelo, capital social e cultural – segundo dados da prefeitura no Portal da Transparência, estão previstas obras de ampliação e remodelamento da Av. Cândido de Abreu, Extensão da Linha Verde Sul, Corredor Metropolitano, requalificação do corredor Marechal Floriano, Rodoferroviária e do Terminal de Santa Cândida entre outras melhorias do sistema de mobilidade urbana.

Entretanto, se velhos erros não forem contornados, os brasileiros sofrerão uma derrota catastrófica, muito pior do que perder a final da Copa do Mundo. Por consequência, setores como o da Educação e Saúde poderão deixar de receber mais investimentos mas o espetáculo do mundo da bola terá feito mais uma vítima: o próprio país do futebol. Espetáculo nas quatro linhas e vexame na vida real. Será esse o nosso destino ?

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Maldita travessa Itararé!

Aos desavisados de plantão, que porventura precisem algum dia deixar seus veículos – bicicletas, ou mesmo transitar a pé – na travessa Itararé, no centro de Curitiba, entre a Av. Mariano Torres e Rua Conselheiro Laurindo, muito cuidado.

Essa região do centro antigo de Curitiba, próximo ao terminal do Guadalupe, na itararé – entre a Tibagi e a Conselheiro Laurindo -, tem um “bando de ladrões” organizados que constumam roubar e furtar carros e pessoas em troca de uma pedra de crack. Eu nunca estacionei o carro nessa rua mas devido a uma vigília de 24 horas da igreja do Guadalupe, não tive outra opção! Se via Diretran guinchando carro estacionado em local inapropriado, gente entrando e saindo, movimento, mas polícia que é bom nada!

Eu mesmo fui vitima de furto no dia 27 de Junho, Domingo, por volta das 18h na Travessa “dos infernos” da Itararé. Estouraram meu vidro, tentaram entortar a porta do passageiro, furtaram som, estepe e cortaram fiação elétrica da bateria do carro. Sem poder dar partida elétrica e com o carro desprotegido, sem referência de seguro e sem telefone celular pra ligar pra alguém que pudesse ajudar… meus agradecimentos a senhora moradora do Edifício “bendito” Itararé que chamou a polícia e viu os ladrões “de sempre” fazerem o estrago. Se eu não tivesse ligado novamente, a polícia não viria já que eles acharam se tratar de trote…eis minha programação de fim de domingo junino.

Segundo moradores, o grupo ataca semanalmente e a polícia pouco ou nada faz. Alguns moradores já foram agredidos pelo “bando”, roubados e até ameaçados. Carros já foram até desmontados inteiro, ficando só a carcaça; até caso de botar fogo em carro se pode ouvir entre os residentes na região.

Enfim, ficar atento com a travessa itararé é importante já que os meliantes agem livremente. Depois dessa “sopa pro azar”, a maré estava tão negativa que até o pneu do carro furou esses dias e nem estepe pra trocar havia. Eita nós! O pêndulo vai e vêm, mas a segurança urbana segue constante na mesma pegada!

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