Sem Perseguições: Os estudantes e professores não são terroristas

Traduzido por Érico Massoli

Federação dos Estudantes Universitários da Colombia (FEU)

SEM PERSEGUIÇÕES: OS ESTUDANTES E PROFESSORES NÃO SÃO TERROSITAS

Hoje, não há dúvida que o Governo Nacional da Colômbia considera a Universidade em seu conjunto, um perigo eminente e que mais de 150 mil estudantes e professores das Universidades públicas e privadas são tidos como delinqüentes e terroristas simplesmente por estudar e trabalhar nas instituições de educação superior. Por outro lado, não se justifica investigações oficiais as bases de dados de todos os estudantes e professores que desde o ano de 1992 estão vinculados com as Universidades Nacional, Distrital, Pedagógica, Livre, Autônoma e a SENA, realizada por solicitação do fiscal especializado da Unidade anti-terrorista, Jorge Iván Piedrahita Montoya, que inicia processo contra a comunidade universitária.

Este novo ato de perseguição, além de constituir violência ao direito e a intimidade, a autonomia universitária, ao bom nome e integridade da comunidade universitária colombiana, mas sobre tudo a opinião crítica e autônoma que lhes é inerente a qualquer universidade em um Estado que se proclama democrático, esclarece ainda mais a estratégia de perseguição e estigmatização contra a comunidade universitária e particularmente dos estudantes que com decisão, tem mobilizado por seus direitos e pela defesa da educação pública, opondo-se assim ao governo nacional. No interior das instituições de educação superior, vive-se hoje um ambiente de perseguição por conta das ações e declarações de funcionários do governo nacional, a realização de processos disciplinares internos contra dirigentes estudantis e a contínua aparição de ameaças de morte realizadas por grupos paramilitares.

As ações da principal entidade de investigação judicial do país vai contra os universitáiros e a idéia de Universidade, evidenciando a intenção do governo nacional em defenestrar os estudantes e professores críticos, convertendo-lhes em bode-expiatórios para dissuadir a opinião nacional e internacional frente a seus questionamentos as sistemáticas violações dos direitos humanos efetuadas pela força pública colombiana, assim como o avanço das investigações sobre as alianças com os paramilitares e narco traficantes, centrando-se em um suposto novo êxito do governo nacional contra os universitários cujas armas são a academia, opiniões críticas e sonhos de uma universidade e país melhores.

Neste ataque frontal, participaram pessoas de carreira e comportamento duvidoso, como a senadora Gina Parody, quem animada pela desejo de se tornar prefeita de Bogota, decidiu utilizar-se dos estudantes como trampolim midiático, realizando afirmações descontextualizadas e irresponsáveis sobre o interior dos espaços universitárias, mas sem jamais denunciar a privatização da educação pública ou a presença paramilitar no corpo diretivo de várias universidades regionais e deixando de assistir o debate organizado pelo Reitor da Universidade Distrital para discutir franca e abertamente os feitos que com tanto esforços havia “denunciado” a senadora. Assim mesmo esta estratégia teve como protagonista a ex-diretora do DAS, quem afirmou de forma temerária a nossa organização, e teve que deixar seu cargo depois que conheceram que tal entidade havia ordenado a perseguição de todos os membros do Polo Democrático Alternativo. Agora entra em cena o fiscal Jorge Iván Piedrahita, denunciado em 2005 por exercer pressão sobre membros da União Patriótica de Cabrera, para qual se declararam contra os militares dessa organização e por múltiplos escândalos quando dirigia as investigações em Soacha; este personagem que em suas funções de fiscal seccional de Fusagasugá se acostumou a participar de registros domiciliares uniformizado com roupas militares e portando armas como pistolas e sub-metralhadoras, agora vê em todos os universitários um potencial terrorista.

Na base de dados e demais informações solicitadas pela fiscalização encontram-se a folha de vida, informações familiares, história clínica, lugar de residência, número telefônico e até registro de livros solicitados nas bibliotecas pelo conjunto da comunidade acadêmica de ditas universidades de 1992 até 2008. É legítimo que um Estado social de direito ataque até esse ponto o direito a intimidade e a presunção de inocência de toda uma comunidade ? Quem pretende fazer a fiscalização com toda a informação coletada ? Vale a pena perguntar se se pode estabelecer como critério para acusar alguém pelos livros consultados em sua vida universitária. Por acaso existem temas que não se podem ler nas Universidades ? Por acaso não são a liberdade acadêmica e a liberdade de investigação premissas básicas da qualidade acadêmica e da vida universitária ? Será possível que para este fiscal quem lê Marx seja um sujeito perigoso, ou quem consulta álgebra de Baldor um terrível extremista mulçumano ? Ou se assustará ao encontrar em um livro de engenharia a frase “mil revoluções por minuto” ? Por acaso a proibição dos livros e dos temas a pesquisar não é uma das características fundamentais das ditaduras ou de instituições como a inquisição ?

Esta terrível situação evidencia uma vez mais que se está atacando a Universidade em si mesma, como espaço para a construção de conhecimento e progesso da sociedade, além de deixar claro que faz tempo que se vem executando a mais terrível caça as bruxas, aonde os golpes midiáticos resultam serem as provas mais contundentes contra estudantes e professores, justificando a esteira de morte e desaparecimento que assolam o movimento universitário.

Tais atos de perseguição inquisidora são uma amostra do caráter ilegítimo de um governo que promove um projeto de morte e pensamento único em nosso país. Fazemos portanto, um chamado a toda a comunidade universitária a construir caminhos de unidade e criar uma grande Campanha Nacional e Internacional Contra a Estigmatização dos Movimentos Universitários e que nos permitam sair da escura noite a qual o governo nacional nos quer impor mediante as ameaças, os amedrontamentos e processos jurídicos. Esta campanha deve impulsionar processos de organizativos, de denúncia e mobilização em todas as universidades do país. Somente uma resposta articulada e contundente de todos os universitários nos permitiria apontar os verdadeiros pontos do debate sobre a educação superior na Colômbia: democracia e autonomia universitária, direitos humanos, financiamento, bem-estar universitário e qualidade acadêmica.

Ante a tão execrável procedimento, chamamos a todos os colombianos e a comunidade internacional a se solidarizar e defender a Universidade colombiana, sua pluralidade de pensamento e a integridade de todos os seus membros frente a graves atropelos exercido pelo governo nacional. Assim mesmo, fazemos o chamado para exigir esclarecimentos e retificação por parte do Fiscal Geral da Nação, Mario Iguarán e o presidente Álvaro Uribe, os quais devem assumir a responsabilidade política pela elaboração e execução de tão macabro plano contra a Universidade colombiana.

EM DEFESA DA VIDA, DA LIBERDADE DA PLURALIDADE

NÃO A ESTIGMATIZAÇÃO E PERSEGUIÇÃO DO MOVIMENTO UNIVERSITÁRIO

Bogotá, 10 de Novembro de 2008.

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